Ia escrever sobre outra coisa, mas liguei a TV despretensiosamente, só enquanto comia meu macarrão, e vi um documentário feito pela PBS (rede de TV pública americana) sobre a (des) igualdade racial no Brasil. No filme, estudantes ricos e pobres de Brasília são acompanhados durante o pré-vestibular e discutem a decisão de tentar - ou não - entrar na UnB pela lei de cotas.
Sempre acreditei que a lei de cotas não deveria ser racial, mas sócio-econômica. Escola pública a vida toda + renda familiar ínfima + isenção de imposto de renda = cota, ou algo na mesma linha. Mas sinceramente não sei mais. A real é: quantos negros estudam em escola particular? Quantos trabalham aí do seu lado, no mesmo cargo? Quantos você vê na USP, PUC ou Faap? Será mesmo que não é racismo? Será que não aprendemos que o país vive numa "democracia racial" e passamos a aceitar isso como verdade?
Assistindo ao programa, me peguei pensando: pô, se uma dessas pessoas entrar na UnB essa lei já vai ter valido a pena, apesar dos espertos - IMPRESSIONANTE a cara de pau de alguns que agora se declaram negros.
# Voltarei em breve com a programação normal. Ou seja, Nova York.
# Não posso deixar de comentar a mãe "classe-média-alta-branca" que dá entrevista e solta (chorando): "estou mais nervosa do que ela. Acho uma injustiça ver a minha filha ralar de estudar e ser prejudicada por essa lei. Ela não merece tanto (!!) sofrimento!". E chora mais. Credo, ela não deve é merecer a senhora.
4 de set. de 2007
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